MIOMA UTERINO X TRATAMENTO
O mioma uterino
é o tumor mais frequentemente encontrado na pelve feminina e adquire relevada
importância, não somente pela sua freqüência e prevalência
constantes, mas por uma série de fatores a ele relacionados.
Até os dias atuais, muitas perguntas ainda precisam ser respondidas a respeito
dos mecanismos envolvidos no seu aparecimento, nas diversas formas clínicas
evolutivas apresentadas e, principalmente, a definição de abordagens
que possam contemplar os vários objetivos da terapêutica.
Os miomas
variam muito em sua apresentação, podem apresentar-se como um nódulo
isolado de tamanho variado, como também em sua forma múltipla ou
difusa deformando por completo a matriz gestacional, ou seja, o útero.
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Outro aspecto de relevância relacionado ao mioma uterino
é a capacidade de causar dor pélvica compressiva e sangramento uterino
anormal, muitas vezes provocando anemias acentuadas, chegando a motivar transfusão
sanguínea em sua terapêutica emergencial. Por alterar a conformação
uterina, os miomas são freqüentes causadores de infertilidade e nesta
condição requerem um tratamento que preserve o útero, o que
consequentemente favorece o reaparecimento desta neoplasia, uma vez que a recidiva
é uma de suas características. Uma característica
bastante conhecida a respeito da biologia dos miomas uterinos é que são
tumores que tem seu crescimento relacionado à presença de um hormônio
natural da mulher, o estrogênio e seus derivados. Este fato clinicamente
é facilmente evidenciado através da diminuição de
volume e consequentemente da intensidade dos sintomas clínicos na vigência
da menopausa, ao mesmo tempo em que o uso de hormônios antagonistas dos
estrogênios promove marcante involução dos nódulos
tumorais. Até mesmo ao revisar a literatura mundial a respeito do tema,
os estudos de qualidade não chegaram a um consenso em função
das diversas variáveis que envolvem o tema.
ANÁLISE
DE FATORES Alguns fatores
devem ser obrigatoriamente avaliados ao se tentar eleger uma alternativa terapêutica
para os miomas uterinos: há sintomatologia associada à presença
do mioma? A patologia é nodular ou difusa? Se nodular, o nódulo
é único ou múltiplo? Qual a localização do
mioma em relação às camadas de tecidos que constituem o útero?
Há ainda desejo reprodutivo? A menopausa está próxima? A
instituição dos hormônios na terapia de reposição
hormonal poderá ativar o crescimento tumoral futuramente? E, finalmente,
qual a melhor forma de abordagem terapêutica? Apenas para termos uma
idéia, várias são as alternativas terapêuticas existentes
e, na escolha de uma delas, todos os fatores acima relacionados merecem ser considerados.
TRATAMENTOS Como
tratamentos são listados: retirada total ou parcial do útero, retirada
apenas do nódulo ou nódulos, por via convencional, por vídeo-laparoscopia
(abordagem abdominal), por vídeo-histeroscopia (abordagem endoscópica
via colo uterino), com ou sem necessidade prévia do uso de antagonista
do estrogênio para redução tumoral, embolização
da artéria uterina nutridora do mioma objetivando desta forma a sua redução,
a destruição da camada interna do útero (ablação
endometrial) com objetivo de destruir a principal fonte de sangramento e até
mesmo a moderna destruição seletiva do mioma por ondas ultrassonográficas
de alta potencia guiadas por ressonância nuclear magnética. Enfim,
essas peculiaridades fazem com que o tratamento do mioma uterino mereça
uma abordagem minuciosa a qual demanda adequado conhecimento da própria
paciente, para que esta possa, uma vez bem orientada, muitas vezes ajudar o médico
a decidir a melhor alternativa para a sua patologia, pois até hoje não
existe uma conduta padronizada para a maioria das situações em que
a terapêutica do mioma uterino é considerada. |